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[RESENHA] Árabe Honrado - Sem Fronteiras Para o Amor vol. 10 (Aline Sant' Ana)

  • destilendo
  • Sep 2, 2020
  • 4 min read

Árabe Honrado é o décimo livro da série Sem Fronteiras Para o Amor, obra da autora Aline Sant’Ana. Cada livro é ambientado em um país diferente – e traz um pouco de sua cultura – escolhido por leitores.

Esse é talvez um dos livros mais diferentes da série. Aborda a história de amor do Faruk e da Zahra, que começou como um casamento arranjado e terminou em uma lenda apaixonante: “O amor que venceu as fronteiras do coração, que venceu a lógica e que perdurou por toda uma vida”. Faruk assume a empresa petroquímica da família e também a posição de sheik de Mansur. Seu pai lhe arranja um casamento, afinal, como sheik, Faruk precisa de herdeiros. Os noivos só se conheceram na cerimônia. Não era um casamento por amor, para nenhum dos dois. Mas era o destino, ambos entendiam isso e aceitavam. Zahra foi criada para ser a esposa saudita perfeita, ser a primeira esposa de um sheik era uma honra. Ela só não esperava que seu marido não fosse um homem comum. Faruk possui ideais bem ocidentais, e mesmo sendo um casamento arranjado, está determinado a conquistar o coração da esposa.

Num primeiro momento eu relutei em ler esse livro. Mas li, porque conheço os livros da autora e sou apaixonada por essa série. A temática de casamento arranjado e toda a cultura tão diferente da minha realidade me deixaram receosa. A forma como a mulher é vista nessa cultura me incomoda um pouco, para ser honesta. Então você pode imaginar o estranhamento que senti ao ler a sinopse. E não foi nada do que eu esperava ou temia. Preciso destacar e enaltecer a Aline por esse trabalho. É, a meu ver, realmente muito difícil para alguém do ocidente, com todas as diferenças culturais, retratar os costumes tão conservador sem trazer uma visão negativa ou ainda romantizada ao extremo. Ao mesmo tempo é muito difícil, por si só, retratar esses costumes como comum sem vivenciá-los, livre de pré-conceitos. A Aline escreveu com uma sutileza incrível.

Não posso dizer que compreendi completamente coisas como a poligamia, casamento arranjado e toda a realidade das mulheres na cultura muçulmana. Mas definitivamente tenho outro olhar.


Falando dos personagens, Faruk me surpreendeu. Ele tem seus ideais ocidentais, sem desmerecer o mundo em que foi criado, mas ainda é um produto do seu meio. E ele tem noção disso. Ele tem noção de como a vida é desigual entre homens e mulheres. E faz o possível para que sua mulher, dentro de sua própria bolha, tenha seus direitos. Direitos esses que muitas vezes vão contra a religião. Essa sensibilidade e senso igualitário vêm, com toda certeza, de sua mãe que o criou para respeitar as mulheres antes das tradições. Outro ponto muito positivo foi sua determinação, não só em fazer a esposa se apaixonar por ele, mas por si mesma.


“O meu marido tinha um senso igualitário muito grande. Sentia que ele respeitava as tradições, mas andava no limite delas. E isso… não, nunca seria bem visto”.
“Faruk estava disposto a abrir mão das normas, religiosas e legais, por mim”.

No início, pensei que a Zahra estaria apenas conformada que se casaria não por amor, mas por um acordo. Aos poucos fomos vendo pequenos detalhes rebeldes dela, como a dança ocidental e seu amor por pintura. Acredito que ela nunca pensou em sua liberdade como algo possível, então é incrível vê-la descobrindo seu potencial e apaixonando-se pela vida enquanto entrega seu coração ao marido. Ela teve um leve estranhamento com toda a liberdade que o casamento lhe trouxe – o contrário que esperava. O respeito do Faruk e seu tratamento como igual aos poucos a conquistaram.


“Porque, além de se apaixonar por mim, queria que minha esposa se apaixonasse por si mesma”.
“Fui ao meu casamento achando que a minha vida tinha acabado, sem fazer ideia de que estava apenas começando”.
“Como Zahra Yasin, eu era apenas um reflexo minúsculo do que descobri ser capaz de me tornar como Zahra Al Hassan”.

Essa história de amor é um pouquinho diferente: é um amor que vai sendo construído e conquistado aos poucos, como uma plantinha que cresce num solo improvável. Há, antes, uma relação de amizade sendo desenvolvida, que sutilmente se torna amor. Imagino que essa é a situação idealizada quando dizem que o relacionamento é construído e fortalecido com o tempo. Um amor baseado no respeito, na intimidade, amizade, convivência e admiração mútua. Positivamente, não há a romantização de relacionamento tóxico, algo que pode acontecer quando o contexto é tão delicado assim. Eu não esperava ver o empoderamento feminino tão delicadamente desenvolvido. Foi uma surpresa maravilhosa. Achei o Faruk, no entanto, um pouco perfeito demais – talvez porque minhas expectativas para ele não eram tão altas – para um sheik. Nossa, ele deixa até os homens mais desconstruídos no chinelo, mas não considero isso um ponto negativo. A verdade é que precisamos de mais Faruk’s no mundo, e com certeza, mais Zahra’s. Definitivamente, Árabe Honrado superou (explodiu) as expectativas.





 
 
 

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