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[RESENHA] Diamante Dourado (Safira de Prata vol. 2) - Laura Reggiani

  • destilendo
  • Oct 20, 2020
  • 3 min read

Laura Reggiani vem nos maravilhando novamente, agora com a continuação de Safira de Prata, intitulada Diamante Dourado que fecha a duologia com maestria. Enquanto no primeiro volume somos apresentados à um mundo místico, neste Laura apresenta uma escrita mais fluida, afinal grande parte dos detalhes desse universo já foram apresentados. Na minha opinião particular, Diamante Dourado é ainda melhor que o primeiro volume (que já é incrível). Vemos o desfecho de uma guerra muito antiga que já perdeu seu objetivo no meio de tanto ódio por ambos os lados.

Agora Safira e Howl precisam lidar com novos desafios, as consequências de uma traição (ou duas) interna e de quebra alguns novos dramas. A alcateia está sendo caçada, o traidor está fugitivo e jurando vingança à linhagem do alfa, demônios do passado ressurgem para atormentar nossa mocinha. Como besteira pouca é bobagem, há ainda um líder cada vez mais instável e a possibilidade de retaliação do Alto mago nortenho.

Safira já evoluiu muito, aprendeu seu próprio valor e conseguiu finalmente se transformar. Agora uma Filha da Lua, está livre da dominância de qualquer lobo. Mas ainda há o que superar. A Laura retrata a constante evolução pessoal da personagem, juntamente com o apoio de seu parceiro. Quem leu Safira de Prata, sabe que acabamos com Howl desacordado e uma aparição intrigante da deusa Diana. Em Diamante Dourado, descobrimos o desfecho, mas não é preciso dizer que o capitão da guarda acorda. O pulo do gato aqui está no efeito das provações que o casal passou sobre eles e como os acontecimentos passados mudaram drasticamente a dinâmica da alcateia como um todo. Howl está cada vez mais independente do poder e da carência por aprovação do pai. As relações internas estão cada vez mais voláteis. A cada capítulo somos abraçados pela tensão de algo para acontecer, aquela sensação de bomba prestes a explodir, nos impulsionando e instigando.


Sei que está transtornada, sei que ainda existem muitos obstáculos pela frente, mas você não está sozinha. Nunca esteve.

Temos também o desenvolvimento de personagens secundários. Mykaela, por exemplo, é apresentada com um novo olhar. Enquanto eu não a suportava em SdP, agora passei a compreende-la. Com a Laura, nada é exatamente preto no branco, e isso é simplesmente incrível, afinal, a vida nem sempre é preto no branco – em diferentes esferas, inclusive. A evolução e o aprendizado são possíveis. Se eu deixar de acreditar na mudança, o que seria da esperança no mundo? A vida seria mais triste. Somos levados a uma grande aula de sororidade, poder feminino e representatividade. Esses, inclusive, são pontos fortíssimos do livro. A forma natural como a Laura aborda tais assuntos e cria personagens LGBTQIA+ é linda e extremamente necessária. Tantas vezes em obras de ficção são criados universos incríveis, ao mesmo tempo que parece tão difícil para alguns autores criarem personagens trans, bi, gays – o que francamente, não faz sentido. Falando em sororidade, Laura nos mostra que você não precisa ter afinidade com outra mulher para defendê-la e se levantar em seu favor. Sororidade não é questão de afinidade, é questão de lutar por igualdade de gênero, de união feminina e de busca por justiça.

[...] Você tem opiniões fortes. Respeito qualquer fêmea que saiba lutar pelo que acredita, pelo que merece. Isso não significa que eu goste de você, mas...

Eu, particularmente, gostei muito da forma como a Laura tratou o processo de superação do assédio e quase abuso sexual que a Safira sofreu. Não houve uma mudança repentina, como se a simples benção de Diana apagasse todos os medos, temores e traumas da mocinha. Mas é um processo que evolui com o tempo e com autoconhecimento. A postura do Howl foi muito importante aqui, acredito. Como parceiro, o diamante nos ensina o verdadeiro significado de um relacionamento com companheirismo, respeito, amor e empatia. Sempre respeitando o tempo da Safira. Mas não daremos os créditos todos a ele – fez o básico. E sim à Safira, que abraçou a sua força. É preciso muita coragem para aceitar seus demônios e triunfar sobre eles.


Por fim, temos um gostinho durante todo o livro de um universo muito maior que as alcateia de licantropos e lupinos. Fiquei muito animada com a perspectiva de outros livros futuros da autora, abordando as bruxas e outros halfions que a Laura apresentou. Acho magistral essa habilidade de deixar um gostinho de quero mais ao mesmo tempo que traz uma conclusão para a história.

AVISO: este livro possui conteúdo sensível para menores de dezoito anos, incluindo cenas gráficas de cunho sexual, abusos, violência e morte.




 
 
 

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