top of page
Search

[RESENHA] Vergonha - Brittainy C. Cherry

  • destilendo
  • Aug 18, 2020
  • 3 min read

A resenha da semana é de Vergonha, obra de Brittainy C. Cherry. Vergonha conta a história de Gracelyn Mae Harris, a filha do pastor da cidade e parte da "realeza" de Chester e como ela trilhou uma jornada dolorosa de autodescoberta e conhecimento depois de muitas perdas e um casamento que terminou. Grace cresceu sendo a garota perfeita que todos esperavam que ela fosse. Casou-se com seu namorado de adolescência, seguiu a carreira que disseram que seria boa para ela e sempre colocou as necessidades dos outros à frente das suas. Sempre atendendo expectativas externas, ela não se conhecia verdadeiramente. Quando descobre a traição de Finn, e ele pede o divórcio, Grace vai passar um período na sua cidade natal. Mas aparentemente, as pessoas de lá estão mais preocupadas em fofocar sobre sua vida do que no seu bem-estar.


Jackson tinha aquela imagem de perigoso, má influência, devido aos erros de seu pai e a seus próprios. Mas ele nunca se preocupou em desmentir rumores, ou com o que falavam dele. Chester nunca foi uma cidade acolhedora para sua família, se a população queria vê-lo como monstro, então era isso que daria a eles. Por baixo da superfície grosseira e sarcástica, havia um coração estilhaçado, triste e perdido.

Eles eram tão diferentes quanto possível, à primeira vista, mas se você olhasse com atenção veria que suas almas eram iguais. Apoiando-se um no outro, contra todas as opiniões, ambos colaram os caquinhos de seus corações despedaçados.

“Quando ele foi embora, eu agradeci em silêncio. Depois de uma noite me afogando, foi a ovelha negra da cidade que me ajudou a me erguer para tomar um pouco de ar.”

“Grace era linda, isso era certo, mas também estava despedaçada, exatamente como eu. Meus cacos estavam espalhados e os dela se misturaram aos meus.”

Brittainy faz o nosso coração apertar do início ao fim. Ela quebra, mói e depois samba nos restos do coração do leitor para no final pagar de cirurgiã cardíaca e consertá-lo. Ela tem esse estilo de escrita quase mágico e sutil que nos arrebata, nos tira da realidade e nos faz mergulhar no mundo que há dentro daquelas palavras. Os capítulos são alternados com pontos de vista de ambos e eu fui capaz de sentir TUDO que a Grace e o Jackson sentiram.

Brittainy nos traz uma reflexão e uma crítica à sociedade.

Em muitos momentos eu senti muita raiva das pessoas que pulavam em cima deles como urubus remexendo em carniça, apenas para obter uma fofoca. Senti raiva do preconceito enraizado e disfarçado em crenças religiosas. As mesmas pessoas que se diziam de bem, descentes e de fé viravam a cara quando alguém precisava, eram as primeiras atirar pedras. Definitivamente fiquei enfurecida quando responsabilizavam Grace pelos erros do ex-marido. Quando diziam quem ela deveria ser.

“- Você é a filha do pastor, o que, por sua vez, a torna filha dessa cidade. Você tem uma responsabilidade com sua família e com a cidade e precisa aparecer sempre com um sorriso no rosto e manter a classe.”

Senti orgulho da Grace quando percebia a confiança em si mesma crescer, pela coragem de buscar se conhecer. Senti orgulho e amor pelo apoio que Jackson e Grace ofereciam um ao outro. E a forma que se apaixonavam um pelo outro nesse processo.

Gosto de pensar que o Jackson não a tornou a melhor versão dela mesma, a Grace é a responsável por isso. Mas ele esteve lá quando a coragem dela vacilou, quando ela precisava de ajuda para respirar. Ele a apoiou e a compreendeu. Ele a olhou atentamente.

“- Eu não sou de ninguém – respondi sem ar, sentindo meu coração disparar. – Antes de ser de alguém, preciso saber ficar sozinha.”

“Às vezes, tudo o que uma pessoa precisava era de alguém para ouvir as batidas vacilantes de seu coração.”

“Acabou que a autodescoberta era um processo que todo mundo devia continuar explorando. Ninguém nunca para de crescer e, dessa forma, as descobertas nunca acabam.”

Foi uma surpresa agradável, e um dos pontos altos do livro, descobrir que a mãe da Grace foi capaz de evoluir como pessoa. Apesar de todo o ranço que eu cultivei pela Loretta ao longo do livro, consegui compreender o motivo por trás das atitudes dela, e penso que perdoei ela. Se a Grace a perdoou, porque eu não perdoaria. A irmã da Grace e Judy, são provavelmente, as minhas pessoas favoritas - tirando os protagonistas - desse livro.

“Por que eu nunca dediquei um tempo para olhar atentamente para minha própria mãe? Talvez seja porque os filhos costumam esquecer que os pais são humanos também.”

Com um "que" de Bela e a Ferra, Vergonha fala de amor verdadeiro (que não te prende ou muda a sua essência), de perdão, de julgamentos e de autoconhecimento. Principalmente perdão e autoconhecimento. Não sei se consigo descrever em palavras como esse livro me impactou.








 
 
 

Comments


Post: Blog2_Post
  • Instagram

©2020 by DestiLendo. Proudly created with Wix.com

bottom of page