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[RESENHA] Um Beijo Inesquecível - Os Bridgertons vol. 7 (Julia Quinn)

  • destilendo
  • Jun 17, 2020
  • 4 min read

O sétimo volume de Os Bridgertons, da maravilhosa Julia Quinn, nos traz a caçula da família, Hyacinth em seu quarto ano na temporada londrina. Ou mais especificamente, no recital das Smythe-Smiths. A obra aborda o desenrolar do romance entre nossa amada heroína - que não é uma florzinha tímida e discreta - e Gareth St. Clair, famoso por suas aventuras amorosas.

Hyacinth não é uma dama comum, já percebemos isso de sua participação nos livros dos irmãos. Como esquecer que ela pediu para o Simon esperar por ela, caso Daphne não o quisesse? Uma mulher de atitude. Franca e inteligente ao extremo, Hy é extraordinária e detém certa fama em Londres. Seus pretendentes, por outro lado, não parecem impressionados com essas características. A verdade é que a maioria morre de medo de ter uma esposa intelectualmente acima deles. Homens, não é mesmo? E ainda, homens que não valorizam o ser feminino para além da procriação. Os poucos que tiveram a coragem de fazer uma proposta foram movidos pelo dinheiro.


Ao que tudo indicava, essa temporada seria um tédio completo. Até o infame recital - Mozart, por que choras? – onde conhece o sedutor neto de sua adorada e igualmente sagaz amiga Lady Danbury.

Gareth St. Clair é famoso por ser um libertino. Mas apesar da fama, é perfeitamente educado e engraçado. E aparentemente um dos poucos capaz de acompanhar o ritmo de Hyacinth e deixá-la sem fala. Também, é de conhecimento público que ele e seu pai, barão St. Clair, possuem certa desavença. Hyacinth encara Gareth como um desafio a cada diálogo, decidida a não cair em sua lábia. Além disso, é o neto favorito de Lady D. Isso deve valer de alguma coisa, não é?

Eles estabelecem uma parceria para desvendar um diário deixado pela avó paterna de Gareth, Isabella. No início, trata-se apenas da tradução, logo viram confidentes e invasores de domicílio, apaixonando-se nessa caça ao tesouro de vovó Isabella.

Esse é, sem sombra de dúvidas, meu volume favorito da série Bridgerton. Hyacinth é minha integrante favorita dessa família tão querida. Eu amo o cérebro dessa menina! Ela é tão carismática, inteligente, franca e até mesmo mexeriqueira que não tem como não gostar. As cenas com Lady D são as minhas favoritas, eu não percebi como estava com saudades dessa senhora rabugenta e sincera ao extremo. Não é um segredo que poucos conseguem acompanha-la em seu raciocínio e menos ainda conseguem encarar sua honestidade cortante. Apesar da influência de sua família e de seu irmão, um visconde, ter dobrado seu dote, Hy continua solteira. E embora alguns familiares pensem o contrário, ela quer sim casar-se e construir uma família. Mas Hyacinth morreria de tédio e seria profundamente infeliz em um casamento sem ser compreendida e valorizada por sua personalidade. Por vezes, vi grande semelhança dela com Isabella, a avó italiana de Gareth. Penso eu que em uma família diferente, Hyacinth seria mais uma Isabella, infeliz e frustrada. Vemos também uma faceta mais frágil da personagem, ao refletir sobre si mesma e seus sentimentos. Violet é mais do que uma mãe que deseja casar sua filha, a forma como ela entende os dilemas internos de Hy sem conhecê-los é maravilhosa.

“Raramente havia um homem – ou mulher – mais espirituoso, articulado ou bom de debate do que Hyacinth Bridberton.”
“Era melhor permanecer solteira do que se acorrentar a alguém que a entediaria a ponto de leva-la às lágrimas.”

Qual não é minha felicidade quando o mocinho não é também um homem comum? Claro, ele passa uma imagem de nobre sedutor. E em parte contribuiu feliz para tal fama. Mas o estereótipo não lhe faz jus. Por trás dessa imagem há um homem carinhoso com sua avó e que a ama profundamente. E traumatizado por um pai desprezível. Por vezes, Gareth diz não se importar com a afeição do barão, no entanto, o vemos muito dependente do prazer de provocar o pai e extrai reações que vão além de desdém. Acredito que ele sempre sentiu essa necessidade de carinho. Perdeu a mãe aos sete anos, para uma criança isso é um baque enorme. Ser rejeitado pelo pai ainda, sem nem ao menos saber o motivo, é algo que deixa marcas. Me deu um grande aperto no coração imaginar o pequeno Gareth sozinho. Gareth precisou descobrir a verdade sobre sua família para superar seus demônios e o diário da avó veio no momento certo.

“ Podia interpretar todo o resto de Londres como o texto de um livro. Mas, quando se tratava de Gareth St. Clair, não fazia a menor ideia.”
“Jamais conhecera alguém como Hyacinth Bridgerton. Era vagamente divertida, vagamente irritante, mas não se podia deixar de admirar quanto era espirituosa.”

Gostei muito da interação dos protagonistas. Gareth realmente respeita Hyacinth por sua mente e sua singularidade. É espetacular o momento que ele percebe que gostaria de ser marido dela. É como um insight. E DO NADA, decide pedir sua mão em casamento sem nem ao menos entender o sentimento envolvido. O leitor claramente vê que ele a ama. Enquanto Gareth demora para tal, e isso dá certa vantagem ao pai. Quando o barão o acusou de tê-lo manipulado para que pedisse a Srta. Bridgerton fiquei com medo, medo de que fosse esse o real motivo. Felizmente, o barão estava errado. Mas é claro, é um homem de seu tempo e têm alguns comportamentos protetores exagerados, por exemplo. Como seus surtos ao Hyacinth visitá-lo sem sua dama de companhia - no meio da noite. Considerando a época que se passa, compreendo. Só que me deu muito nervoso. Esse deve ser o único defeito que consigo pensar.

Por fim, o desfecho e epílogo nos deixam surpresos, aturdidos e maravilhados.

“E então, de repente, Hyacinth viu que certas coisas apenas se sabem, e que não há como explica-las.
Naquele momento, ela soube que se casaria com aquele homem.
Ninguém mais serviria.
Gareth St. Clair compreendia o que era importante. Era engraçado e sarcástico e sabia ser arrogante, mas compreendia o que era importante.
E agora Hyacinth percebia a relevância disso para ela.”
“Esse... esse amor se irradiara por ela, fluindo como um rio, ganhando impulso até que, um dia, estava lá.”


 
 
 

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