[RESENHA] Safira de Prata - Laura Reggiani
- destilendo
- Jun 8, 2020
- 5 min read

A resenha de hoje é muito especial. Safira de Prata marca a estreia da Laura Reggiani no mundo da escrita. E hoje é aniversário dessa pessoa incrível que nos agraciou com sua primeira obra. O livro se passa num mundo de fantasia muito bem construído, onde humanos dividem o território com várias criaturas mágicas. Muito embora a maioria da população humana não acredita realmente na existência dessas criaturas, encarando-as como lendas.
A nossa protagonista chama-se Safira Erklare e vive numa vila humana onde as classes sociais são muito distantes, sustentando seu pai moribundo (e sinceramente um estorvo) e trabalhando em uma taverna. Safira tem uma vida miserável, órfã de mãe e pobre. É vista com maus olhos pelas pessoas por trabalhar na taverna, sua classe social e estar praticamente sozinha já que seu pai está à beira da morte. Quando seu pai morre, deixa-a uma dívida enorme como herança. Uma dívida que pode custar sua vida e sua liberdade. Entre a proposta de trabalhar em um bordel, virar escrava sexual de marinheiros ou aceitar uma estranha proposta de seguir uma criatura mágica desconhecida Safira foge para a capital em busca de uma vida nova. No entanto, seus cobradores a perseguem e a atacam. Lutando por sua vida, e quase desistindo, Safira é salva por Nye. A licantropa transforma Safira e a envia para o acampamento da alcateia, onde Safira precisa merecer seu lugar. Lá nossa heroína vai precisar provar seu valor, aprender usar suas novas habilidades, e principalmente conhecer e aceitar sua loba interior.
Enquanto humana Safira sofreu muito, isso a tornou fechada e arisca. Mesmo não ligando para o julgamento alheio, Safira não se dava muito valor. Quando se transforma, ela sente-se mais forte e esperançosa por um recomeço. No entanto, é necessário lidar com traumas do passado, com o desejo de vingança e consigo mesma. Safira, no fundo, não se sente merecedora de sua loba. A Safira sempre foi desbocada, não aceita desaforo e humilhação. Ao contrário do que ela esperava, a alcateia se mostra tão presa a preconceitos quanto a aldeia humana. Grande parte da elite social da alcateia mostra-se com uma mentalidade retrógrada com relação a pureza dos licantropos, defendendo que a mistura entre licantropos e humanos os tornam fracos. Quando chega, Safira já cria rivalidade com a Diana, esposa do alfa, e a futura Diana, noiva do herdeiro. Ambas acreditam na inferioridade dos mestiços e não aceitam a presença de Safira, que não disfarça sua antipatia. A futura Diana, Mikaela, impõe sua dominância na novata que se mostra profundamente frágil. Taxada como submissa, ela é vista mais uma vez como fraca. Além disso, a alcateia passa por um momento político tenso, sofrendo ataques de seus inimigos mortais, lupinos, o alfa demonstrando cada vez com menos controle e impotente.

Howl Vowen, futuro alfa, é um dentre muitos que não apoia a permanência da Safira e a vê como um elo fraco. Howl é extremamente exigente consigo mesmo, passando aos súditos uma imagem de guerreiro imbatível, líder forte e explosivo. Esforça-se para estar à altura de sua posição na alcateia. Faz parte da guarda, em uma posição de destaque. Tem sua personalidade marcada pela pressão de ser o herdeiro do alfa, filho de uma Lunar, e pela perda da mãe. Sua relação com o pai também influenciou a não demonstrar fraqueza. Howl é um grande de um lobo rabugento, para ser sincera. Mas muito poderoso. Apesar do muro que construiu ao seu redor, tem bom coração e um senso de moral bem definido. Devido a ataques sofridos, Howl passa a treinar Safira, uma vez que não quer arriscar a segurança de seu povo por uma mestiça submissa e fraca. Com o treinamento, ambos passam muito tempo junto, aprendendo a confiar um no outro e nos seus instintos. E investigando uma possível traição no alto escalão da hierarquia.
“O que difere os bravos dos covardes não é a falta de medo, mas a resolução de fazer o que precisa ser feito apesar dele.”
No meio de uma guerra, buscas por vingança e jornada de autoconhecimento, a autora constrói um universo mágico detalhado e intrincado, recheado de personagens secundários complexos e instigantes. Temos bruxas, licantropos, lupinos, humanos e várias espécies de halfions. Cada personagem secundário parece pedir um livro próprio. É uma história longa, quase 1600 páginas de pura criatividade. Em momento algum será cansativo, pelo contrário, a cada página você quer ler mais e mais, buscando respostas. Mas recomendo que a leitura seja feita com calma, é uma história densa e detalhada que merece toda atenção possível. Como uma boa obra de fantasia Safira de Prata tem até um mapa! Vocês têm noção de como isso é legal?! Atualmente, a Laura está trabalhando no segundo volume. Eu defendo um terceiro livro, tipo Guia de Leitor, abordando as lendas e os aspectos místicos criados para esse universo.

Eu poderia descrever muitas coisas que me agradaram nesse livro. E quando digo muitas me refiro ao livro todo. Não tem uma única parte que não tenha gostado. Realmente, não tenho nenhuma crítica ou observação negativa. Vou tentar focar na Safira e no Howl, embora muitos personagens tenham ganhado minha afeição. Primeiro, preciso avisa-los que esse livro contém cenas de violência sexual, física e psicológica e podem ser gatilhos emocionais. Dito isso, fiquei impressionada com a Safira, porque como leitora percebo a força da personagem, vi como ela lutou por sua vida. Me doeu perceber que a personagem não se achava digna ou suficiente de sua loba. Sofri junto cada dor da Safira. E me orgulhei com desenvolvimento pessoal, com sua vontade de sobreviver e de proteger seus amigos. Me orgulhei da confiança que a Safira demonstrou em si mesma ao longo da história. Aprendi junto com ela que a vingança não traz o alívio que esperamos e que não apaga da nossa memória as experiências traumáticas vividas. Também gostei muito do Howl. Reconheço que no começo eu tinha uma certa raiva dele, de como tratou a Safira. Mas conforme a história acontecia pude conhece-lo e compreender suas ações. Pude perceber que ao mesmo tempo em que ele ajudava a Safira a ser mais confiante em sua nova “identidade”, ela o ajudou a ser mais humano, a sentir mais e ser mais empático.
“Você é verdadeira e franca consigo mesma, e tão segura sobre suas opiniões que chega a ser enervante, mas ninguém consegue me fazer olhar por outros ângulos como você. Uma mestiça pequena e irritadiça, com surtos repentinos de altruísmo.”
“Amo como você é forte e astuta e linda e teimosa. Amo o fato de que você daria tudo de si para proteger aqueles que lhe são caros. [...] Amo como é corajosa e ainda é capaz de rir mesmo depois de tudo que passou.”
A Safira, mesmo não sendo capaz de se transformar completamente não é a submissa fraca que todos falam. Porque ela daria sua vida pela alcateia, por sua nova família. Ela era mais corajosa que muitos. Mas meu momento favorito é quando a Safira consegue finalmente se transformar completamente. Esse, meus queridos, é um momento glorioso. Outro aspecto muito legal é a crítica social que a autora apresenta e como as crenças preconceituosas e segregacionistas são assustadoramente próximas da nossa realidade. Todo o descaso e a rejeição da personagem sofrida primeiro por sua classe social e econômica, depois por sua origem (transformada e não nascida pura) e eventualmente por sua ausência ou não de dominância. Tudo isso, assemelha-se muito com a nossa realidade, com os julgamentos baseados na cor da pele, na renda, na sexualidade, na aparência. Os licantropos, que se achavam superiores aos seres humanos eram, na verdade, iguais. Vestidos de seus preconceitos colocavam em risco sua sobrevivência em função de uma ideologia ignorante (para não dizer algo pior).
“Quando seu oponente te toma como mais fraca e mais frágil, ele entra na luta com o pensamento errôneo de que não tem como perder”.
“Nunca é tarde para reivindicar um direito tão básico quanto o de ser livre.”
Sobre os personagens secundários, você vai querer ser amigo do Will, Kiara, Vaska (essa doida que eu amo de paixão), Yan (MEU mozão), Demina, Ulsa, Zyhe etc. (eu nem estou contando as bruxas).











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