[RESENHA] Dias Inesquecíveis - L. C. Almeida
- destilendo
- Jun 29, 2020
- 5 min read

Dias Inesquecíveis é um duo junto com Bad Max, abordando o universo das corridas criado pela maravilhosa L. C. Almeida. No entanto, você não precisa ler em sequência para compreender as histórias. Mas, claro, se você já leu Bad Max, já se apaixonou pela personalidade alegre do Ric. Em Dias Inesquecíveis conhecemos um pouco mais sobre o piloto mais alegre do grid a sua forma positiva de encarar a vida. É impossível não o amar.
Ric é um cara que acredita em destino. Também é um piloto mundialmente famoso. E um romântico à moda antiga.
Naomi é racional. Engenheira e apaixonada pela Fórmula A e pela equipe Alpha, gosta de levar a vida de um jeito simples. A fama é seu pior pesadelo. Não acredita em relacionamentos, encara o amor da mesma forma que resolve equações: com lógica, o amor é um resultado de reações químicas que acontecem no nosso cérebro.
Parecem completos opostos ao mesmo tempo que possuem tantas semelhanças. São o equilíbrio perfeito, e viverão um experimento científico secreto enquanto Ricardo tenta provar a Naomi que magia existe.
Bom, novamente, não serei imparcial. Eu já amo o Ric desde Bad Max. Esse menino tem apenas o sorriso mais contagiante do mundo. Desenvolvi um vício em fórmula 1 já com o Max e a Bianca, coisa que antes era impensável para mim, agora apenas surtei com cada referência da Laura ao mundo das corridas. E saber que o Ricardo foi inspirado em um dos meus pilotos favoritos, Daniel Ricciardo, só contribuiu para o surto. Temos muitas referências a física, com o cérebro de exatas que eu tenho fiquei em júbilo com cada referência. Quando a autora citou a força centrípeta mesmo... Vamos dizer apenas que eu nunca fiquei tão feliz por ler centrípeta em vez de centrífuga (gente, sério, não existe força centrífuga). Aposto que você nunca imaginou que um discurso explicativo envolvendo mecânica clássica conquistaria alguém!
Assim como o Daniel, Ric tem essa energia good vibes maravilhosa que contagia. Seu dia simplesmente melhora lendo. Nem por isso é um piloto menos capaz, as pessoas tendem a subestimá-lo por seu jeito "bonzinho" e acabam surpreendidos quando ele entra na pista. Laura o descreve como determinado, veloz e elegante. O piloto com as ultrapassagens mais elegantes. Você pode nem entender muito de corrida, carro, ultrapassagem e o que for, mas vai sentir a emoção em cada cena. Ao contrário da maioria dos pilotos, Ric não quer vencer a qualquer custo. Ele valoriza as coisas simples da vida, os amigos, a beleza da simplicidade, a família, o amor. É isso que o torna tão parecido com a Naomi.

A Naomi é 100% cérebro, obcecada com quebra-cabeças e totalmente racional. Ela é, na verdade, a única coisa que impede o relacionamento deles. No início, ela reluta bastante em aceitar seus sentimentos, principalmente por não acreditar em relacionamentos e no amor. Não existe nenhum motivo como um trauma na infância ou coisa assim, é a penas a forma que ela enxerga a vida. Racionalmente. Um de seus argumentos é que não gosta da atenção que teria em sua vida caso se relacionasse com alguém famoso. E aqui está o pulo do gato. O Ric entende completamente esse receio e veio para provar que a fama não é um motivo para ignorar o sentimento deles.
Como lutar contra é um caso perdido - obviamente - Naomi propõe um experimento. Um não-relacionamento secreto. Sem cobranças, sem atenção da mídia. Apenas eles. Se não der certo, vida que segue. Ric aceita, e encara como um desafio para mostrar a ela que destino e amor são mais do que coincidências e probabilidades estatísticas.
"Amor não tem nada a ver com lógica."
"- Você está certa. - Ele fala e os meus ombros relaxam um pouco, mas sigo sem coragem de encará-lo. - Sendo bem sincero, eu pensei muito sobre isso. Pensei na parte da fama, que eu nem eu gosto, mas que faz parte da vida que eu escolhi. Só que você não escolheu. Como eu poderia te submeter a isso?! - Quanto mais ele discursa, mais o seu sotaque vai ficando forte. - Pensei na parte de trabalharmos juntos, principalmente, em como tenho medo de prejudicar a sua carreira. Eu não me perdoaria se fosse o responsável por te fazer mal, Naomi."
Eu amei, claro, todas as referências científicas. Para falar bem a verdade, me identifiquei muito com a Naomi e seu cérebro de exatas. E a melhor parte? O Ric a compreende, mesmo que ele compreenda o mundo de um jeito mais poético. E ele admira as peculiaridades dela. O amor pela Alpha, pelo seu trabalho, o amor por motos, o medo de dirigir, sua independência, sua obsessão por quebra-cabeças, as planilhas, sua aversão por vestidos. Sabe quando alguém não te obriga a se adequar aos seus padrões? Esse é o Ricardo.
"Uma vez, li que existem dois tipos de pessoas no mundo: as que querem ter ao seu lado alguém que elas admiram e as que querem alguém que as admire. Eu, com certeza, faço parte do primeiro grupo.
Naomi é única.
E é minha.
Eu sou um bastardo sortudo, não sou?"
Os capítulos são majoritariamente do ponto de vista da Naomi e conforme a leitura avança percebemos como o amor pode ser um sentimento intimidante, vemos a Naomi em negação sobre a real natureza de seus sentimentos. Afinal, é algo que desafia toda uma concepção pessoal, é assustador para caramba! E a Laura cria isso de forma muito orgânica. Não é possível ficar com raiva da personagem pois acompanhamos a evolução e a aceitação dela. Nos colocamos em seu lugar. Vale ressaltar que a Naomi não se deixou abater pelo medo. Essa coragem de se arriscar e ir contra tudo que te assusta? É impressionante.
Por outro lado, o Ricardo tem essa certeza do sentimento desde o primeiro momento. A forma como ele abraça esse amor é encantadora, principalmente por ele ser o cara. Muitas vezes, vemos o mocinho relutar em admitir seu amor. Têm essa ideia de que os homens precisam ser avessos a sentimentos, corações de gelo até que a mocinha consegue derretê-lo e então ele vira um cachorrinho apaixonado dela, passando por um grande momento de tensão e reviravolta. Veja bem, não estou dizendo que não gosto, mas é um pouco cansativo. É quase uma fórmula. E a Laura tem esse poder de construir um romance sem utilizar desse recurso. É engraçado, porque faltando 4 capítulos eu estava esperando acontecer alguma desgraça que teria aquela carga dramática e os personagens veriam que não podem viver um sem o outro. E isso nunca veio. O drama, a desgraça. Claro, teve a aceitação do amor, de que bom, o amor existe afinal de contas, e é meio mágico. No entanto, é algo que a autora trabalha no decorrer do livro com uma delicadeza e sutilidade, não precisa de um grande acontecimento shakespeariano para tal.
Outro aspecto que amo nos livros da Laura, os mocinhos são desconstruídos. Não temos aquela visão machista que eles precisam ser os provedores, que as mocinhas precisam ser frágeis e delicadas. Os protagonistas estão em posição de igualdade, e eu apenas amo isso. A Naomi está perfeitamente bem em sua própria pele e o Ricardo não se sente ameaçado pelo empoderamento dela. Esse é meu mundo ideal.
"- E você vai andar na minha garupa?
- Algum problema com isso? - Ergue a sobrancelha, como se não tivesse entendido a minha pergunta. - Você não tem um capacete sobrando?
Homens nunca aceitaram andar na minha garupa antes. Aparentemente, era muito pouco másculo para eles. Não sei por que estou surpresa, claro que Ricardo Damico nunca vai fazer algo que eu esteja esperando."
"Eu gosto de mim mesma assim e, se alguém não gosta, o problema é dessa alma infeliz, não meu."
E esse livro ainda tem a melhor trilha sonora, como todos os livros da Laura. É leve, divertido, emocionante, empoderado. É perfeito.













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